Aos 94 anos, adormece de vez o impenitente perguiçoso, no quarto de hotel onde sonhou durante os últimos 63 anos. Ficam os livros, fica Gohar e outros que tal, eterna fonte de escárnio e seduçao pelo rien faire orientais.
No céu, Uma clareira, um espaço: Azul cortando cinzento baço.
Na terra, Um murmúrio sem rasto. A chuva vertical, gula do pasto.
Empurrado pelo silêncio Canso os olhos de ler Na planície áspera, vermelha, Homogénea dos dias de Abril, A vida lassa, a sopa quente, A janela goteada e o pé dormente.
O tédio difunde obeso Através do gel poroso das horas. Sou oráculo de nunca mais saber O que guarda o tempo, se me trarás amoras.