
Não devia fazer isto, mas meu irmão André Pinto (célebre por ser a minha imagem moldada em sentatez e contenção de espírito), deixou de forma incauta o seu velho diário de viagem abandonado em cima da mesa da sala de jantar. Li-o com avidez rapace. O que mais de surpreendente contém, é o último parágrafo no qual se lê uma comoção genuína, típica das grandes despedidas, nascidas de corações melosos, mas nada própria do meu gélido irmão. Ei-lo.
"Há ainda a incerteza de voltar a fazer semelhante viagem de comboio por outras paragens. Incerteza justa e quase fundada, não fosse a necessidade de ver e conhecer que me assalta sempre que recebo notícias de países distantes, onde outros fados se cantam. Vencendo essa fraca inércia do espírito, a viagem ainda será longa. Páro aqui por algum tempo para viver e descansar."
Não querendo incentivar, nem concordar com a leitura dos diários alheios :), acho que este parágrafo que transcreveu é demasiado precioso para ficar escondido no último parágrafo de um diário.
ResponderEliminarOh, é muito simpático da sua parte dizer isso.
ResponderEliminarEu passo-lhe o elogio, sabendo que serei agredido em seguida.