terça-feira, 8 de novembro de 2005

Do tédio e de como ocupo o tempo a escrever disparates

Farto e aborrecido saio de casa. Na rua sou recebido com chuva e vento, como se a minha saída fosse um erro. Na esquina contígua um sem-abrigo masturba-se agachado sob mantas imundas, os seus olhos esgazeados de prazer animal. Sigo rua abaixo em direcção à estação de metro, caminhando por entre as pessoas que àquela hora circulam pelas ruas de Lisboa. Mulheres gordas com mamilos no lugar de olhos, homens peludos como orangotangos carregando quilos de carne, crianças com megafones protuberantes acima do queixo, segurando as cuecas nas mãos. Morto de tédio desço as escadas húmidas da estação, para encontrar aquela lufada de ar quente, pesado que flui nos túneis do metro. Compro o bilhete de ida e volta, inserindo as moedinhas na ranhura vaginal da máquina parideira de títulos de viagem. Na plataforma não há muita gente, apenas uns vagos espectros de ectoplasma lendo o Correio da Manhã, em cuja capa se lê em letras obesas "RAMBOIA EM ARRUDA DOS VINHOS ACABA EM GRAVIDEZ COLECTIVA". A estranha centopeia chega, envolta em muco de mentol que a faz deslizar pelos carris de pão de ló. As chagas abrem-se e entro. São só duas estações e saio no Campo Pequeno. É um dia maldito! Rajadas de 500 km/h varrem as ruas, acompanhadas por chuvas diluvianas. Abrigo-me na sede de candidatura do Cavaco, pensando para comigo Que merda, já não vou à natação. À primeira aberta naquela meteorologia dantesca, corro para o anus da estação de metro, onde apanho o próximo verme para casa.
Chegando a casa, com um suspiro de cansaço pela subida da rua, ponho a chaleira a aquecer para um reconfortante chá de gambozinos.

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