terça-feira, 15 de novembro de 2005

Urso!


Anda aí no cinema a história de um lunático, que fritou em drogas durante a faculdade e resolveu ir para os confins do Alaska fazer festinhas e falar com os ursos. A certa altura, reforça-se a ideia de que o tipo queria mesmo ser um urso e, de certa forma, assim foi, já que acabou na barriga de um deles, juntamente com uma namorada de ocasião. Bom, o rapaz não era biólogo nem tinha objectivos definidos de protecção. Não havia ali qualquer interesse articulado de forma científica. Apenas paranóia, pura e dura. O idiota diz constantemente "Eu amo-te" aos animais fofinhos e chora diante dos cadáveres daqueles que foram devorados por predadores.
Eu gostei muito do filme. Enganem-se aqueles que julgam que vão ver um documentário sobre ursos-pardos e o Alaska, ou um estóico defensor dos direitos dos animais. O filme é sobre a crescente alienação de uma pessoa que nunca se encontrou desde muito pequeno. O local onde o personagem definha surge por mero acaso. Não duvido da paixão que Timothy tinha pelos ursos-pardos e os locais que visitava todos os Verões, no entanto é clara a atitude de fuga patente em cada visita. A certa altura, é referido o seu urso de peluche preferido e, então, somos levados a pensar que, para Timothy, o Alaska era um grande quarto onde se podia isolar com os seus ursos-pardos de peluche e não ser confrontado constantemente com o fracasso da sua vida. O seu fim trágico paira ao longo de todo o filme como a inevitabilidade de quem atravessa uma fronteira com um só sentido.

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